sexta-feira, 13 de abril de 2018

Piodão@48

"48 anos é uma idade em que se foge com uma dançarina para os mares do Sul; eu escrevi o meu primeiro romance" (Umberto Eco, sobre "O Nome da Rosa") 


Sem a aclamação global do magnífico escritor italiano, também eu me estreei aos 48 anos. Foi em Dezembro passado, com os meus primeiros 100k. 

A partir daí, animado pelo que para mim era um feito, decidi que a minha preparação para a Maratón de Sevilla seria à antiga: 6 dias de treinos por semana, o regresso às séries e repetições, enfim um rigor e sacrifício que já há muito tinha ficado para trás. 

Onze semanas depois, já eu sentia no corpo os efeitos do exagero. Desta vez, era fascite plantar no pé esquerdo. Não parei, mas remeti-me ao ginásio, para reforço muscular e algum trabalho cardio. E assim cheguei ao Piodão.

Para o dia esperava-se chuva, vento, lama e frio. Para a prova contavam-se a súbita ausência do Pedro-irmão-de-sangue e a absoluta companhia do Pedro-irmão-de-sempre. Em três dezenas de palavras, estas eram as expetativas para os 50k deste Ultra Piodão 2018.

A ultra-temporada de 2018 começaria como em 2017. De braço dado com o Pedro Jaime e ambos atrapalhados com lesões que nos destinavam à cauda do pelotão. Era assim a agenda, foi assim que correu.

Para a história ficaria o prazer das longas ascensões, a fascite a acordar ao quilómetro 10 e a morder muito forte nos cinco mil metros que desciam a partir das quatro léguas, a inclemência da intempérie na Fórnea, as raízes queimadas e aguardando como facas, a manhosa aproximação ao gelado Colcurinho, um quilómetro 47 criado por Tolkien e a sossegada entrada no paraíso de xisto.

   
Feito o Ultra Piodão e a seis semanas do UT São Mamede, são horas de mais ginásio e melhor tratamento. Com mais de quatro mil metros para descer a 19 de Maio, são seis semanas para as pernas e os pés esquecerem que já chegaram aos 48. 

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