segunda-feira, 21 de março de 2011

Morreu um dos nossos

Nunca falei com o José Santos. Cruzei-me com ele duas vezes na pista e no balneário do Centro de Alto Rendimento do Jamor. Estava com o filho e a filha. “Ele é maratonista e eles estão no Benfica”, disse-me a Rita Borralho a meio de um treino de séries, faz amanhã 3 semanas.

Ontem o José Santos morreu. Atropelado por um autocarro em Cascais. Enquanto treinava. Ponho-me a imaginar que ele estava a fazer um treino longo para a sua próxima maratona e a afinidade faz-me sentir ainda mais triste.

Habitualmente, faço os treinos de descompressão no Jamor. Mas hoje falta lá um dos nossos. Que fique em descanso e que a sua família consiga descobrir o melhor caminho numa vida que ficou agora mais pobre.


Segunda-Feira, 21 de Março de 2011

domingo, 20 de março de 2011

O tri-quase-tetra

Três quilómetros transcorridos na 21ª EDP Meia-Maratona de Lisboa e já o plano estava fora de controlo. O andamento era rápido demais, tal como o que eu utilizaria para uma prova de 10k. Por isso, após parciais de 4:13, 4:11 e 4:12, decidi-me a aproveitar a descida para Alcântara e o primeiro abastecimento para entrar nos eixos. Foi então que, ao quinto quilómetro (passagem a 21:19), o Manuel Proença se juntou a mim e ao Victor Silva: “Para andar a quanto? A 4:30? Vamos lá então, concentrados na prova”.

Nos quilómetros seguintes, foi-se dissipando o receio de que aquela partida descontrolada pudesse comprometer toda a corrida. Não é que tenhamos abrandado para o planeado (aliás, o tempo de passagem aos 10k ficou a meros 25” do meu recorde para aquela distância), mas sobretudo porque me estava a sentir confortável naquela passada mais rápida.

Só a partir do 12º quilómetro é que começámos a andar nas redondezas dos 4:30 de ritmo. Mas o decréscimo no andamento não frustraria o primeiro objectivo do dia: novo PB dos 15k com 65’49” (menos 2’53” do que na Corrida do 1º de Maio de 2010).

Pouco depois começaria o período mais complicado. O retorno em Algés parecia nunca chegar e com o calor a fazer-se sentir, o isotónico na goela e a água na cabeça eram mais que providenciais. Aí, no k18, estava no pior da minha corrida, com o ritmo a cair para os 4:47. Vital era a presença RB um passo à minha frente, com o grande Proença a pautar a moral, a logística e a passada.

Ultrapassado o bidon, passei a visualizar a meta como objectivo. Os ritmos voltavam a melhorar (4:37, 4:31, 4:19…) e, no processo, batia o mais recente dos meus recordes. Há duas semanas conseguira 1:32:19 em Cascais e, desta vez, bastava-me 1:29:00 para fazer a minha melhor marca aos 20k.

Aí, já pouco faltava para ser tri-recordista nesta Meia-Maratona de Lisboa. Com um tempo de passagem de 1:33:46 aos 21.095 metros, retirava 5 minutos e 47 segundos ao meu melhor registo até então e esmagava completamente o meu PB à meia-maratona.

Em comparação com a edição de 2010, este ritmo de 4:26/k dava-me um tempo 9 minutos e 11 segundos mais baixo e uma subida de 764 lugares na classificação geral. Em comparação com a edição de 2010, tenho uma equipa onde se vivem os sucessos e os fracassos dos outros. E onde todos ajudam para que os primeiros aconteçam mais vezes que os segundos.


Domingo, 20 de Março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Alta Categoria

Lembrei-me disto algures durante os 37’ de hoje no Jamor. Em comparação com a preparação para Berlim, estou muito mais sofisticado no que toca a lesões. Para já porque deixei de me queixar (seja como for, há para aqui sempre uma ou outra dor) e depois porque as canelites e as entorses abriram agora espaço para a chegada de um refinado Neuroma de Morton. Meto dinheiro que ninguém tem maleita mais bem baptizada.

Mudando de assunto: Wanjiru e Tadese ao despique na Avenida da Índia? A pena que eu tenho de perder isto na televisão e de ter que me contentar em pelo menos voltar a correr numa prova onde caiu um novo recorde mundial.


Sexta-Feira, 18 de Março de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

A demolição

Sou um atleta de pelotão. Daqueles que raramente ficam nas fotografias, tão vasta é a companhia que toca ombros comigo à esquerda e à direita. Por isso mesmo, sou dos que ficam super-contentes quando, em pleno túnel de vento de Braço de Prata, conseguem fazer 3:49, 3:50, 3:44 e 3:45 numas séries de 1.000 metros. E porque há muito que andava arredado de tais tempos, posso até dizer que demoli a minha escala.


Quinta-Feira, 17 de Março de 2011

O Mirus

Depois de na Segunda-Feira ter auto-ministrado o treino de técnica de corrida (onde um aluno medíocre se transformou num péssimo professor) e de na Terça-Feira ter abatido 48” de tempo aglomerado em comparação ao último treino de 10x300 metros, marquei para esta Quarta-Feira treino no Estádio Nacional. Foram 12k na companhia de um atleta do passado / amigo da vida toda.

Dantes, quando treinava quase todos os dias, o Pedro nem sequer tinha rabo. Hoje, trinta anos depois, deixou de ser o tipo que melhor vestia umas Levi’s 501. Mas, com 80 quilos, continua a ser tão empenhado na corrida como excelente na prosa.

Depois do nosso treino, decidiu fazer 14 parágrafos a explicar a experiência. Vestiu-os de exagero sobre a minha qualidade e sobre as suas dificuldades, mas sobretudo fez dos nossos 65 minutos um verdadeiro momento. Cá por mim, continuo a achar que ele é o Mirus Yifter dos bloggers portugueses. Um beijo grande e Sexta-Feira é à uma e um quarto junto ao Centro de Alto Rendimento.


Quarta-Feira, 16 de Março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

São 30k para fazer Marina do Parque das Nações – Unhos – Sacavém – Moscavide – Marina – Poço do Bispo – Marina

00:53:16 - Passagem aos 10k com ritmo médio de 5:19 (Marina do Parque das Nações – Escola Básica de Unhos).

01:45:14 – Passagem aos 20k com ritmo parcial médio de 5:11 (Escola Básica de Unhos – retorno na Igreja de Unhos – Moscavide – Passeio do Sapal no Parque das Nações).

02:11:05 – Passagem aos 25k com ritmo parcial médio de 5:10 (Passeio do Sapal – Armazém 24 da Matinha).

02:36:02 – Conclusão aos 30k com ritmo parcial médio de 4:59 (Armazém 24 da Matinha – retorno na Doca do Poço do Bispo – Marina do Parque das Nações).

Média final de 5:14 com o melhor quilómetro a ser o último, com um ritmo de 4:39. A ideia era fazer um bom treino progressivo. Por isso, correu bem (e o depósito ainda tinha combustível para prosseguir num andamento certo).


Domingo, 13 de Março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

O sortilégio do Monsanto

Estreei-me com 11:07, debaixo de um aguaceiro piorei para 11:16 e pensando que estava a fazer a melhor do dia acabei com 11:17. Em suma, não há modo de ter uma experiência completa nestes 2.700 metros de Monsanto. Salve-se que, não tendo conseguido meter velocidade na corrida, consegui desta vez uma relativa regularidade nos ritmos médios (entre os 4:08 e os 4:11 por quilómetro).


Sábado, 12 de Março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pelas pistas do Jamor

Hoje, a satisfação veio com a troca do almoço por uma hora a ritmo lento no Estádio Nacional. Da pista de tartan à pista de crosse, passando pela terra batida que circunda a pista de canoagem, fui andando para fechar a um ritmo médio de 5:14.

Como nota à margem e mesmo sabendo que valores mais altos se levantavam, tenho que dizer-te que ficaste a perder e que ias adorar. Tens contudo hipótese de redenção na próxima 4ª Feira, pela hora do almoço.


Sexta-Feira, 11 de Março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

"Go, Pre!"

Tem sido uma semana em crescendo, onde no dia a seguir a um belo treino-estilo-montanha-russa voltei à pista para fazer a minha melhor sessão de séries longas (6 x 1.200) desde que estou a treinar para os 42 de Paris.

Com 4:36, 4:37, 4:39, 4:40, 4:34 e 4:37 foi uma difícil subida para um novo degrau. Mas porque quando corremos a nossa mente tem o condão de se pôr em fuga por aí, ajudou ter-me chegado a sentir como um Steve Prefontaine a negociar as curvas da pista: leve na passada e firme no sofrimento.


Quinta-Feira, 10 de Março de 2011 (imagem da autoria de The Happy Rower)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dose tripla de Asparten, s.f.f.

Desde o princípio de Janeiro que uma boa meia-hora das minhas noites de Terça-Feira é entregue à definição do percurso para o treino semi-longo do dia seguinte. Ontem, enquanto me punha no www.mapmyrun.com a desenhar os meus destinos, meti na cabeça que queria subir. Queria naturalmente 15k equilibrados, mas queria que houvessem umas subidas cabeludas a meter exigência nas minhas pernas.

E assim foi. As subidas estavam sempre a aparecer (em Lisboa é inevitável) o que fez deste um treino de dentes cerrados. Parti do Velho Oriente da cidade, aproximei-me das Avenidas Novas e acabei no Parque das Nações. Foram 16.050 metros para um tempo de 82’ 38” e para sentir que parece estar a ressurgir o que eu já tinha quando há 5 semanas tive que parar por lesão.

Agora, venha uma dose tripla de Asparten, se faz favor. Amanhã há séries de 1.200 metros. E daqui por um mês e um dia há maratona em Paris.


Quarta-Feira, 9 de Março de 2011