segunda-feira, 24 de novembro de 2025

GNR (Got No Results)

Fiz ontem o Oeiras Trail e uma hora depois já tinha os resultados para bisbilhotar. No entanto, passada uma semana e um dia desde que corri a Maratona Noturna do Grifo24h pouco sei sobre o que ali aconteceu.


Não existem resultados oficiais publicados. Nada. Sei que fiquei em 3º lugar da Classificação Geral Masculina porque me chamaram ao pódio e me deram uma medalha.

Mas, enfim, reservo os sinais de sucesso para os momentos simbólicos que cobriram esta competição: foi levada a cabo no Quartel da Unidade de Intervenção da GNR (antigo Regimento de Engenharia nº 1 da Pontinha e historicamente marcado por ser o Posto de Comando do MFA), era feita num percurso com rampas e carros de combate e teve sempre a incrível presença dos homens da casa, excelentes a receber e leais a reconhecer.

É uma pena a história dos resultados, mas percebi que essa parte não era da alçada dos nossos anfitriões. Com eles sempre me senti bem numa noite que vai ficar na memória e num lugar já celebrado pela memória coletiva nacional.   

 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Três em menos de um Mês

  

Já há muitos passos que vínhamos pelas margens do Nabão quando ele disse: “Já eu nasci em 1963. Mas quanto mais quilómetros faço, mais fáceis se tornam as provas”. Antes disso, tinha eu largado que era de 1969 e que estava ansiosa pela maldita meta que me levaria aos 46k da Ultra dos Templários.

Quinze dias depois e nova chegada perto das 8 horas de luta. Ainda no Ribatejo, mas desta no Trail Abrantes 100, variante de 50k.

Por fim, o dia 25 de Outubro marca a terceira prova de longo curso em menos de um mês. Agora com a EDP Maratona de Lisboa 2025. A graça é que, depois de perto de cinco anos e meio sem maratonas de estrada, voltei em 2023, 2024 e 2025. E, de ano para ano, com cronómetros menos miseráveis que o do ano anterior. Desta vez com 04:10:18 e com uma louca vontade de fazer uma outra em meados de Março.


quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Abrantes, efeméride do início e pensamento do fim

Duas semanas depois da Ultra dos Templários e duas semanas antes da EDP Maratona de Lisboa, fez-se o regresso a Abrantes e ao mesmo Estádio Municipal onde há dez anos me tinha iniciado nas lides dos 3-dígitos.

Agora, com mais uma década de luta nas pernas, o objetivo era o Trail Abrantes 100 – K50. 

No essencial, o TA100 foi marcando consecutivas edições, mas não cedeu a um tique em voga de alcançar desníveis acumulados de insanidade em perímetros topográficos onde não se veem mais que uma meia dúzia de colinas. Aqui, corre-se. O que nunca é um drama para quem leva uma quilometragem organizada de treinos. Mas, no meu caso, é por aí que anda o drama.

No fim, após 7 horas e 54 minutos de um percurso de meia centena de quilómetros, o pensamento mais forte (e estranho) tinha a ver com a minha rotina de vida. Uma rotina que, a juntar ao passar dos anos, me fez pela primeira vez calcificar a ideia de que uma prova de Endurance era um capítulo que nunca voltaria a andar por perto.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Por Estranhas Circunstâncias

Facto 1 – Noite anterior ao Ultra Trail dos Templários dormida numa roulotte batida pela tempestade.

Facto 2 – Despertar molhado e partida para os 46k feita ainda debaixo de um impermeável Salomon Bonatti.

Facto 3 – Meia dúzia de kms depois, a chuva tinha ido para não regressar. Destinado ao resto da prova com peso suplementar.

Facto 4 – Uneventless é o que se poderia dizer das restantes 7 horas e meia. À exceção de uma rara subida ao pódio no fim da prova. Não por performance, mas pelas circunstâncias. O Circuito Nacional estava a terminar naquele fim de Setembro e já poucos eram os M55 que se interessaram por ir para as bandas de Tomar. Resultado: 2º lugar no escalão (e último, pois eram 2 os concorrentes e, sem que me apercebesse, tive o vencedor a ultrapassar-me no último quilómetro).

Facto 5 – Daqui por 2 dias e já a uma distância de uma semana e meia deste UTT, tenho nova ultra em Abrantes a esperar por mim. E, pela primeira vez, como inscrito na ATRP.

domingo, 23 de março de 2025

Mud, Slide & Splash

Paquete e operador de telex foi o meu primeiro emprego. Agora nem consigo explicar ao meu filho o que é um telex. E, provavelmente, não conseguirei que um meu neto perceba o que é um blog. Mas como desde que comecei a correr ia partilhando os meus episódios de com sapatos de corrida calçados, então não descontinuei o blog.

Assim como sei que ninguém o lê (também não é por isso que o escrevo), também ficou certo que só o iria utilizar para listar todas as maratonas ou provas de distância superior à maratona.

Este Sábado foi um destes dias, com os 50k do Linhas de Torres Maratona Trail 2025. Em absurda repetição de todas as últimas ultras, quase tudo correria novamente mal.

Os efeitos da Depressão Martinho estavam à vista, com dezenas de árvores falecidas que tínhamos que saltar para prosseguir o rumo e com uma lama intensa que se tornar o principal fator de cansaço dada a luta por manter o equilíbrio (que mais de uma dezena de vez levaram à queda). Pode-se fechar com  um conjunto de outros pontos que são apenas minha responsabilidade e que um cérebro funcional aconselharia a trocar esta competição por um DNS.

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Doze meses, novas Linhas, mesma história

Há um ano (mais dia, menos dia) aqui estava eu a carpir o facto de entrar nestas Ultras. As Ultras que continuam a castigar-me no igual modo em que adoro percorrê-las (e, sobretudo terminá-las).

De ano para ano, atiro-me a uma no fim do primeiro mês e pouco depois de ter acabado um Dezembro de São Silvestres. Em suma, nada pode haver de mais diferente em ritmo, intensidade e motivação.

Por isso mesmo, esta Linhas de Torres 100 em modo k50 (que, na verdade estava anunciada com 47,5 kms e que fechou quase com 49) pode aqui ser contada quase como um copy paste do ano anterior. Correr um pouco, não subir muito mas andando um bom pedaço no estilo de nos fazer lutar quase como se fosse para simplesmente escapar à despromoção.

No fim de um pouco mais de vergonhosas 8 horas, passo a meta acompanhado pelo locutor de serviço a anunciar a minha má sorte de ter ficado em 4º lugar no meu escalão. Situação que até me pareceu uma lavagem da miséria de prova. Isto até chegar a casa e constatar que na classificação da minha Classe M55 desta Louriceira de Cima - Póvoa de Santa Iria só haviam mesmo 4 atletas em corrida.

Enfim, é a isto que sabe ser-se o pior numa classe de Veteranos. Quero assim dizer que pode existir tranquilidade em ser-se medíocre.