segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Silvestring...



Lembro-me de um ano em que fiz 3 São Silvestres em 5 dias. Nesse ano habituámo-nos a dizer que fazer Lisboa, Olivais e Amadora era fazer o triplete. Foi há cinco anos atrás, tempos imemoriais em que as três provas juntas não somavam 5 mil terminadores e que fazer running era para ingleses e americanos.

Neste fim-de-semana foram 2 S.S. em menos de 24 horas. Às nove da noite de Sexta-Feira foram os 18k da São Silvestre Pirata do Monsanto e às cinco e meia de Sábado o arranque para os 10k da São Silvestre de Lisboa.   

Com uma média de quilómetros por prova que em 2014 ficou entre a meia-maratona e a maratona, senti-me pela primeira vez fora do meu elemento a correr na área dos 4’30”/km entre milhares de concorrentes.

Estarei desaclimatado das distâncias mais curtas? Ou será que fiquei sem espaço de cotovelos no meio de todo este running?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Japoneses de Aço



Durante anos, trazer o nomes "Japonês" à conversa acontecia ao falar-se do meu primeiro carro, um Toyota Corolla de setenta-e-dois. Diga-se que era um animal de muito mérito, habitualmente forçado a transportar o pessoal do bairro e da faculdade para tudo o que eram lupanares musicais da noite. Celebrizou-se também uma história desde o Ceira sem travões a ajudar, razão para os dois acidentes que aconteceriam até Lisboa. Enfim, um japonês de aço.

Tive que demorar mais de duas dezenas de anos para ser impressionado por novo japonês de aço. Este chama-se Yuki, o que, foneticamente discorrendo, é nome que não sugere ameaça.

Também não será a profissão que o recomenda para o ranking da testosterona, pois não o encontramos a apagar incêndios ou a ser açoitado por água e vento numa plataforma petrolífera. Não, o Yuki é funcionário público. Trabalha sentado à secretária e recebe cheque do Estado. Possivelmente, até usará gravata, mas isso sou eu a dizer. 

Na verdade, o que destaca o Yuki é que, apesar do aparentemente débil nome com que o batizaram, é um japonês de aço que, depois das 40 horas de trabalho semanais, arranca para desafiar os limites do que nos foi ensinado sobre o acumular de quilometragem (a nós que também trabalhamos cinco ou seis dias por semana).

É que este ano o Yuki correu uma ultramaratona, 13 maratonas e 15 meias-maratonas (para além de uma de 40k, duas de 30k e uma de 20k). Vejam, não estou a mentir.

E, antes que o tenham somente na conta de um rapaz atleticamente disciplinado, esclareça-se que daquelas competições ele ganhou 18, fez recorde de percurso em 13 e ainda foi buscar o recorde nacional dos 50k. 

Termino com a cereja no topo do bolo. Num desses dias em que ele tira a gravata (caso a use), chega a baixar das 2 horas e 10 à maratona.

Aposto que não faz aquelas belas derrapagens controladas que o Toyota Corolla fazia ao entrar nas rotundas, mas não deixa de ser o novo japonês de aço.