segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Quando o final é intercalar



Este ano começa mais cedo a preparação para a maratona de Primavera.

Serão mais semanas por plano e mais quilómetros por semana.

É que se por um lado Badajoz será o objetivo principal para o primeiro trimestre de 2015, também não deixará de ser apenas um apeadeiro para o que poderá ser a principal data do primeiro semestre.

Que acontecerá oito semanas adiante e a uma diferença no mapa de meros 70k. Assim o deixem o corpo e os Deuses da Corrida.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Epilepsia em sapatos de corrida


Como epilético sou do género sossegado. O drama físico de espasmos, convulsões e tremores tem andado longe. O meu perfil é mais do bloqueio, do chilique e, por fim, do desmaio.    

Dois dos meus queridos companheiros da corrida já assistiram ao episódio enquanto treinávamos. O meu irmão já me amparou em dois destes blackouts num trail de 20km (que retomei quando das duas vezes acordei). E, sobretudo, tem acontecido nos meus treinos à porta de casa no Parque das Nações. Já despertei na desarticulada linha dos caminhos-de-ferro do Porto de Lisboa, já despertei num noturno parque de estacionamento, já despertei noutros sítios...

No passado Domingo, enquanto eu fazia os 80k deste AUT, a minha família passava um dia de horário sobressalto, antecipando a probabilidade de acontecer alguma coisa. Alguma coisa é a forma dos meus se referirem a eu me perder num desmaio num sítio qualquer.

Nada aconteceu, mas não tenho a certeza que acreditem. O que sabem e me dizem é que só quem tem problemas na cabeça é que acorda de madrugada para se pôr a correr durante 14 horas. Mas, enfim, está provado que eu tenho problemas na cabeça. Na realidade, a questão é essa. Certo?!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Arrábida: 80 para 82 para 84



Em Julho inscrevi-me para o Arrábida Ultra Trail. Seria o meu primeiro ultra trail clássico com uma distância de 80k e um desnível positivo de 2.710m.

Na passada semana a organização anunciou que iriam ter que cortar nas subidas. Contudo, para manter o estatuto de corrida qualificativa com 2 pontos para o UTMB, teriam que esticar a distância para os 82k.

Ontem, já de noite e a apenas 8k da meta, tomei inadvertidamente a dança das distâncias nas minhas mãos. Falhada uma viragem, andei às voltas na penumbra da serra. Resultado: juntei mais tempo ao meu cronómetro final e fiz o conta-quilómetros parar ainda mais longe.

Feitas as contas, fechei com 14 horas, 6 minutos e 44 segundos para duas maratonas seguidas (84.530 metros).

Das dores nos quadríceps, da noite na serra e da lama escorregadia não me vou queixar. Ninguém sai incólume de uma ultra. É um esforço violento, mas todos ali disso o sabíamos.

E mesmo naqueles momentos em que tive que me focar para tentar expulsar as dores para um qualquer canto remoto da minha cabeça, não havia lugar diferente onde eu preferisse estar.