domingo, 16 de junho de 2013

Let It Bleed



Hoje não pus despertador. Não seria mau que as cruzes não me doessem tanto, mas depois de ontem ter estado em Melides a arrancar para o 3º dia seguido de treinos na areia, hoje vi-me forçado ao descanso.    

O treino de ontem começou com 35 minutos de viagem de carro (Tróia-Melides) ao mesmo tempo que despejava o álbum “Let It Bleed” (que os Stones desenharam há mais de 40 anos).

Enquanto ouvia, percebi que aquele alinhamento musical emprestava-me mais um daqueles casos em que a vida imita a arte. Começo com “Gimme Shelter” e vejo-o como um apelo sofrido de alguém que vai correr duas horas em areia fofa e escaldada por 26 graus centígrados.


Com “Let It Bleed” (a faixa, não o álbum) tenho a minha recém-adquirida disposição enquanto treino para o que poderá ser a minha ultra-estreia: vou de camisola de algodão junto à pele e t-shirt técnica negra por cima (sim, para transpirar), volto a ter a mochila da North Face com cantis cheios (sim, pesa mais) e faço metade do treino apenas em meias de compressão + meias de algodão e a outra metade sem qualquer tipo de calçado (sim, acabei com bolhas e pele solta).

Por fim, com “You Can’t Always Get What You Want” volto a recordar que ando a esgaçar-me para fazer uma prova que poderei nunca chegar a correr. Isto porque, se nada mudar, no dia 28 de Julho estarei em missão de trabalho a dezenas de milhares de quilómetros dos areais da Costa Alentejana.

Domingo (16.Junho.2013)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

"É já ali"



Se me disserem que hoje faz 20 anos que eu cheguei à Fábrica de Cimento do Outão (junto a Setúbal) com um sorriso no rosto do tipo “estamos a chegar”, eu vou acreditar. Nessa altura, as Sextas-Feiras à noite metiam sempre três tipos numa saída às pressas da faculdade e uma entrada igualmente rápida no meu Toyota Corolla de 72. Destino: o Seagull, uma carismática discoteca debruçada sobre a Praia de Galapos (que ficava logo a seguir à Secil do Outão).

Hoje, após ter feito a ciclovia que junta a Tróia Resort à Soltróia e, mais precisamente, um pouco depois de ter entrado na praia da Soltróia, passei a ter o Outão no horizonte. Mas, desta vez, ao fazer o regresso a Tróia Resort pela areia solta da praia, a fábrica nunca me deu aquela sensação de “é já ali”. E nunca foi, poderiam dizer as minhas pernas agora pesadas de andar a fazer roços no areal pelo segundo dia consecutivo.  

Sexta-Feira (14.Junho.2013)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Correr numa batata frita ondulada



Cheguei esta manhã a Melides para encontrar um areal quase dentro do expectável: areia solta e grossa no andar de cima e uma plataforma inclinada a receber as águas. Quem tivesse investido algum tempo para ouvir falar sobre o percurso da Ultra Maratona Atlântica não esperaria algo diferente.




O que eu não antecipava era que essa inclinação do areal tivesse que ser feita num desnível progressivo. Como se avançássemos sobre uma gigantesca pala-pala ondulada, a pista fazia-nos subir, descer logo de seguida e não ter mais que 20 ou 30 metros até voltar a subir para de novo descer. Tudo isto enquanto cada passada nos fazia deslizar no sentido lateral, trazendo o pé direito para cima do esquerdo. Até chegar à Aberta Nova e encontrar o bidon.

Na passada Segunda-Feira estreei-me nestas arenosas andanças com os 30k de um Praia Nova – Lagoa da Albufeira – Praia Nova. Achei então que tinha sido um duro teste a um tornozelo que é feito de manteiga. Já em relação à manhã de hoje  ainda nem sei bem o que pensar.


Quinta-Feira de Santo António (16.Junho.2013)