sexta-feira, 14 de junho de 2013

"É já ali"



Se me disserem que hoje faz 20 anos que eu cheguei à Fábrica de Cimento do Outão (junto a Setúbal) com um sorriso no rosto do tipo “estamos a chegar”, eu vou acreditar. Nessa altura, as Sextas-Feiras à noite metiam sempre três tipos numa saída às pressas da faculdade e uma entrada igualmente rápida no meu Toyota Corolla de 72. Destino: o Seagull, uma carismática discoteca debruçada sobre a Praia de Galapos (que ficava logo a seguir à Secil do Outão).

Hoje, após ter feito a ciclovia que junta a Tróia Resort à Soltróia e, mais precisamente, um pouco depois de ter entrado na praia da Soltróia, passei a ter o Outão no horizonte. Mas, desta vez, ao fazer o regresso a Tróia Resort pela areia solta da praia, a fábrica nunca me deu aquela sensação de “é já ali”. E nunca foi, poderiam dizer as minhas pernas agora pesadas de andar a fazer roços no areal pelo segundo dia consecutivo.  

Sexta-Feira (14.Junho.2013)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Correr numa batata frita ondulada



Cheguei esta manhã a Melides para encontrar um areal quase dentro do expectável: areia solta e grossa no andar de cima e uma plataforma inclinada a receber as águas. Quem tivesse investido algum tempo para ouvir falar sobre o percurso da Ultra Maratona Atlântica não esperaria algo diferente.




O que eu não antecipava era que essa inclinação do areal tivesse que ser feita num desnível progressivo. Como se avançássemos sobre uma gigantesca pala-pala ondulada, a pista fazia-nos subir, descer logo de seguida e não ter mais que 20 ou 30 metros até voltar a subir para de novo descer. Tudo isto enquanto cada passada nos fazia deslizar no sentido lateral, trazendo o pé direito para cima do esquerdo. Até chegar à Aberta Nova e encontrar o bidon.

Na passada Segunda-Feira estreei-me nestas arenosas andanças com os 30k de um Praia Nova – Lagoa da Albufeira – Praia Nova. Achei então que tinha sido um duro teste a um tornozelo que é feito de manteiga. Já em relação à manhã de hoje  ainda nem sei bem o que pensar.


Quinta-Feira de Santo António (16.Junho.2013)

sábado, 2 de março de 2013

Pura magia andaluza



A Avenida de La Constitución tinha o ar febril de uma chegada de mon- tanha no Tour de France. Os sevilha- nos e as sevilhanas incentivavam sem parar (“animo! ani- mo!”) e não havia como não sentir tudo aquilo (“venga, campeón!”) a entranhar-se por debaixo da nossa pele e a soltar-se num arrepio. Eram os 35 quilómetros que se faziam sentir. Nas pernas às quais vai faltando a força, mas sobretudo na cabeça que nos deixa inseguros. Ou até inebriados, conforme o momento. Foi nessa altura que ele falou:
- Estou emocionado. Tenho que me controlar para não chorar.

Há cinco meses atrás ainda ele não tinha calçado para correr. Mas pouco depois do meu irmão se estrear, percebi a chama a crescer dentro dele. De tal modo que, com 2 meses de alcatrão, já o Pedro se começava a preparar para fazer 42k em Sevilla.   

No Domingo fizemos a Maratona. Respeitosamen- te. Cada um com as suas razões, mas ambos com cautela. Eu por ter feito apenas dois terços dos treinos do meu plano (primeiro porque uma queda me amarrotou uma costela, depois porque uma gripe viral me atou à cama durante uma semana); ele porque se estava a estrear.

Desde Abril de 2011 que eu não fazia esta distância. Mas nada mudou. Continuo a senti-la como pura magia. Uma magia que em Sevilla 2013 não esteve no cronómetro de 3:50:17. Esteve sim em fazer o semicírculo da Plaza de España, o mais fotogénico cenário por onde alguma vez corri. E sobretudo em entrar Estadio Olímpico adentro. Lado a lado com o meu irmão Pedro até ao abraço um par de metros depois da meta.

Domingo, 24 de Fevereiro de 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

C de Sevilla



O pessoal da Capitão Roby de certeza que se lembra. Era um dos Verões ao princípio dos anos 80 e o Cabrita subitamente descobria os A Flock of Seagulls. Daí até brindar toda a vizinhança com um inesgotável loop de “…and I raaaan, I ran so far awaay…” foi apenas uma questão de minutos. Um par de semanas depois, a cantiga já era tanto ruído de fundo como os comboios que aceleravam na reta à chegada da Estação de Chelas.

Lembrei-me ontem da estória ao fazer o regresso do percurso noturno Parque das Nações – Santos – Parque das Nações. Foi então que, mais ou menos pelo Cais do Sodré, chegou ao meu iPod o C. O C de “Paradise by the C”, mas também o duplo C de Clarence Clemmons.

A partir daí, entrei em modo Cabrita. E, a cerca de 3 semanas da Maratona de Sevilla, foram mais ou menos 8k largado num ritmo de bailarico no Vitória. Lá em cima, no céu dos saxofonistas, um negrão de ray-bans abanava a cabeça e sorria num sofá de cabedal.


Sexta-Feira, 01 de Fevereiro de 2013