segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Ultra-estreia pelo Atlântico



Enquanto a Fátima me alfineta as bolhas nos pés, penso nas palavras do master Rui Silva: “desde 2006 que isto não estava tão mal”. Ele não se referia à temperatura (que desta vez estava clemente), nem ao vento (que vinha a soprar de Sul), mas sim aquela mistura de areia e água que era a nossa pista para a Ultra-Maratona Atlântica 2013.

Logo aos primeiros metros, os corredores tinham uma fundamental decisão para tomar: seguir pela areia solta no topo da praia e optar por um desgaste que podia vitimá-los mais tarde ou correr junto a uma muito forte rebentação que chegava a submergi-los à altura da coxa.

Eu escolhi a primeira e assim segui por cerca de 12k. Mas, ao passar pelo Pinheiro da Cruz, já os meus pés estavam molhados e o meu ritmo mais solto. Tinha definitivamente escolhido as ondas em vez dos carreiros das moto 4. Por essa altura, colei com o José Duarte Ribeiro (como eu um estreante) e empurrados pela conversa, seguimos em passo animado até perto da Comporta. Já pouco antes tinha caminhado para comer uma sandes de presunto, mas foi ali o meu primeiro pit-stop significativo para trocar de meias e pôr água mais fresca nos cantis.

Não foi fácil retomar o passo. Fiz o reabastecimento de tâmaras, mas pelos 30k as pernas sentiam a preguiça das 4 horas e meia e viria a caminhar mais um par de vezes. Mas aos 36k chegaria a zona mais agreste, quando me apercebi de uma bolha por debaixo do dedo grande do pé direito. Estava eu a tentar descobrir o que por ali havia, quando vi o meu irmão a aproximar-se. Seguiríamos juntos a partir dali, ele descalço e eu a supinar para evitar as dores. A passada supinadora punha 
muita pressão nos tornozelos, mas a meia dúzia de quilómetros até ao pórtico era o tónico necessário.

Pelas 6 horas e meia de prova, depois de um par de falsas expetativas (“deve ser já a seguir aquela curva”), surgia a meta. Apesar de dor e cansaço, estávamos aí no mais vivo dos ritmos registados pelo Garmin. Atravessando a meta com 6:38:42, a nossa estreia em modo ultra tinha tido todos os condimentos de sacrifício para não deixar de ser lembrada. Junto ao Atlântico, fora um quarto de dia muito duro num dos mais volúveis cenários de corrida da Europa.

     
Domingo, 28 de Julho de 2013

sábado, 27 de julho de 2013

Ultraordinário.


Enquanto antecipo que o que me espera pode ser algo como os meus três treinos pelas areias de Melides, vou-me preparando para uma nova dimensão de desafio. Sorte a todos os que andarem por lá amanhã a sulcar praia.

(imagem retirada do cartaz do filme de Carlos Gomes e Fran López Reyes que amanhã pelas 16 ante-estreia no Auditório do Casino de Tróia) 

domingo, 30 de junho de 2013

Correr e calar...




"This year’s Western States 100 was the second-hottest race in its history, with a recorded temperature of 102 degrees Fahrenheit (=38,88 graus centígrados) at the Auburn, CA, airport, the “official” temperature-record-keeping location for the race. It was definitely hotter in the canyons, though, and the hottest temperature I witnessed was 106F (=41,11 centígrados) at Rucky Chucky, mile 78."

Escrito por Meghan Hicks em www.iRunFar.com a respeito da mais carismática 100-miler americana (disputada neste que foi um dos mais quentes fins-de-semana desde que se fazem contas ao clima californiano), este lead aponta-me que não se fala de um treino, lá porque teve uma distância de 30k, uma temperatura de 31 graus e um desnível de 600 metros. Correu-se, está corrido.


Domingo, 30.Junho.2013