sábado, 2 de março de 2013

Pura magia andaluza



A Avenida de La Constitución tinha o ar febril de uma chegada de mon- tanha no Tour de France. Os sevilha- nos e as sevilhanas incentivavam sem parar (“animo! ani- mo!”) e não havia como não sentir tudo aquilo (“venga, campeón!”) a entranhar-se por debaixo da nossa pele e a soltar-se num arrepio. Eram os 35 quilómetros que se faziam sentir. Nas pernas às quais vai faltando a força, mas sobretudo na cabeça que nos deixa inseguros. Ou até inebriados, conforme o momento. Foi nessa altura que ele falou:
- Estou emocionado. Tenho que me controlar para não chorar.

Há cinco meses atrás ainda ele não tinha calçado para correr. Mas pouco depois do meu irmão se estrear, percebi a chama a crescer dentro dele. De tal modo que, com 2 meses de alcatrão, já o Pedro se começava a preparar para fazer 42k em Sevilla.   

No Domingo fizemos a Maratona. Respeitosamen- te. Cada um com as suas razões, mas ambos com cautela. Eu por ter feito apenas dois terços dos treinos do meu plano (primeiro porque uma queda me amarrotou uma costela, depois porque uma gripe viral me atou à cama durante uma semana); ele porque se estava a estrear.

Desde Abril de 2011 que eu não fazia esta distância. Mas nada mudou. Continuo a senti-la como pura magia. Uma magia que em Sevilla 2013 não esteve no cronómetro de 3:50:17. Esteve sim em fazer o semicírculo da Plaza de España, o mais fotogénico cenário por onde alguma vez corri. E sobretudo em entrar Estadio Olímpico adentro. Lado a lado com o meu irmão Pedro até ao abraço um par de metros depois da meta.

Domingo, 24 de Fevereiro de 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

C de Sevilla



O pessoal da Capitão Roby de certeza que se lembra. Era um dos Verões ao princípio dos anos 80 e o Cabrita subitamente descobria os A Flock of Seagulls. Daí até brindar toda a vizinhança com um inesgotável loop de “…and I raaaan, I ran so far awaay…” foi apenas uma questão de minutos. Um par de semanas depois, a cantiga já era tanto ruído de fundo como os comboios que aceleravam na reta à chegada da Estação de Chelas.

Lembrei-me ontem da estória ao fazer o regresso do percurso noturno Parque das Nações – Santos – Parque das Nações. Foi então que, mais ou menos pelo Cais do Sodré, chegou ao meu iPod o C. O C de “Paradise by the C”, mas também o duplo C de Clarence Clemmons.

A partir daí, entrei em modo Cabrita. E, a cerca de 3 semanas da Maratona de Sevilla, foram mais ou menos 8k largado num ritmo de bailarico no Vitória. Lá em cima, no céu dos saxofonistas, um negrão de ray-bans abanava a cabeça e sorria num sofá de cabedal.


Sexta-Feira, 01 de Fevereiro de 2013

domingo, 25 de novembro de 2012

O Pedro e a Catarina chegaram à estrada




Sem que eu dissesse algo, o Pedro começou. Karnazeou-se e uma noite saiu para a rua. Três meses depois, com 36 anos, o bicho já entrou. Traz ao pulso um Garmin e já cruzou metas em Lisboa, Almeirim e Nazaré em cima dos seus Asics Nimbus.   

Aos 28 anos, a Catarina também sentiu o chamamento. Mais uma vez sem que eu dissesse algo, é já uma indefetível dos seus 4 treinos por semana e já fez a sua estreia na Corrida do Sporting. Olho para ela hoje e é uma pessoa e um corpo diferente.

O Pedro, a Catarina e eu somos irmãos. Irmãos no sentido de filhos dos mesmos pais. Mas agora também irmãos a fazer 26k em chuvosas manhãs de Domingo.  


Domingo, 25 de Novembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

A velha conhecida



Chamaram-lhe Avenida José Afonso e, descontando o mau uso da analogia, é uma rua que se atravessa com a sensação de que a morte saiu a rua.   

Para mim sempre será a Rampa da Apelação. A esperar sarcasticamente o meu sofrimento e a prolongá-lo mais uma centena de metros quando parece que a luta está terminada. Enfim, uma velha conhecida que eu já não encontrava há ano e meio e que hoje se cruzou no meu treino de 23k.


Domingo, 18 de Novembro de 2012

sábado, 17 de novembro de 2012

De número em número



Há doze meses chegaram os oitenta quilos de peso. E porque não corria nem fechava a boca, assim foram continuando. Até que hoje a balança marcou 79,800 kgs. Sim, são apenas 200 gramas que rapidamente se recuperam com uma refeição. Mas, sim, é também uma leve conquista anímica.  

Já ontem, a tarde no Monsanto tinha sido de compensações. Num percurso onde treino normalmente o desnível positivo, a chuva e a escuridão só convidava mesmo os atletas a sair. Para mim, foi uma sessão ao ritmo de 5:18, quando em Setembro tinha sido de 5:46 e em Agosto marcara os 6:45.  

Enfim, já foram piores os números.


Sábado, 17 de Novembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

3/73


Primeiro, vieram a Vasco da Gama, Almeirim e Nazaré. Agora, "a ver", como eles dizem.