terça-feira, 9 de agosto de 2011

O. s.o.m. d.a. q.u.e.d.a.*

*Ora, Sessenta e Oito Minutos em Doze Amargos Quilómetros: Um Enferrujado Dia Alentejano.


Terça-Feira, 09 de Agosto de 2011

Chegar a bom Porto

Começou hoje. Começou com 30 minutos de areia fofa e, se tudo correr pelo normal, há-de chegar o fim da estrada daqui por 90 dias.

Então, já estarei no Porto em vésperas de ali correr a Maratona. Será a minha terceira maratona, será a primeira em Portugal, mas nunca será apenas mais uma. Não acredito que alguma vez assim seja.


Segunda, 08 de Agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011

Pernas de maratona

É quase meio-dia na ciclovia de Tróia. Estou a passar os 4 quilómetros de corrida e as coxas pesam como ainda não deviam. Percebo que vai ser um longo, muito longo treino.

Após duas providenciais paragens para me pôr debaixo de aspersores, lá me arrasto até aos 20k. As pernas estão em modo-de-fim-de-maratona. O estado de forma é pouco menos que patético e amanhã já começa o P.P.P. (Plano de Preparação para o Porto).


Domingo, 07 de Agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O pôr-do-sol, as pulgas e eu

Durante os meus dez anos de Tróia, habituei-me a que uma das maiores recompensas que eu dali recebia era aquele fantástico pôr-do-sol. Na praia, enquanto o via deitar-se atrás da Serra da Arrábida, sempre o fui achando ao nível de Santorini e do Botswana.

Hoje, foi diferente o meu pôr-do-sol. Menos contemplativo, meteu quase 45 minutos e quase 6 quilómetros pela areia seca e cada vez mais deserta à medida que eu corria da Soltróia para norte. Na verdade, para além do ocasional pescador e das centenas de pulgas-de-areia, por ali só mesmo as dores nas pernas a anunciar que o treino estava a entrar no corpo.


Sexta-Feira, 05 de Agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quase...

A uma semana do treino nº 1 para a Maratona do Porto, Tróia é o sítio onde vou puxando por pernas e pulmões.

Ontem, ciclovia acima ciclovia abaixo, foram três quartos de hora de treino ao mais que satisfatório ritmo de 5:08.

Hoje, à uma da tarde e à falta de rampas, foram 40 minutos pela areia solta da praia. De boné, t-shirt e calções negros, porque nenhuma transpiração é de mais para quem ainda anda a transportar 79 quilos e 800.


Quarta-Feira, 03 e Quinta-Feira, 04 de Agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Prescrições

A caminho dos 20 meses, a minha filha Inês está na idade de pôr à boca tudo o que vier com uma cor garrida. É por isso que não reservo a mesa-de-cabeceira para organizar os meus comprimidos. Já se ela estivesse perto dos 20 anos, o mais certo seria berrar-me ao ouvido um dia após o outro: “Pai, não se esqueça que este branquinho é antes do jantar. Ouviu, pai?” ou “O vermelho-e-preto é para tomar com água. Veja lá não se engasgue”.

É que já não ando para lado algum sem a Carnitina para queimar as gorduras, a Glucosamina e a Condroitína para a recuperação das articulações e a Indometacina para as dores do joelho. Decididamente, encontro-me num limbo pré-geriátrico: ainda não tomo o número de medicamentos de um velhote, mas já começo a correr como um. Hoje foram 30 minutos ao esforçado ritmo médio de 5:20. Estarei a prescrever?


Terça-Feira, 02 de Agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tróia 01

Quando saí de casa, o ar de Tróia cheirava a terra molhada e trazia-me imediatamente à memória um outro mês de Agosto. Tinha sido em 2003 e marcara-me pela chuva de todos os dias. Estava nessa altura no Norte da Escócia.

Visto de uma perspectiva menos balnear, não deixava de ser no entanto (como diria o imorredoiro Gabriel Alves) um excelente dia para a prática da modalidade. Os aguaceiros tinham dado lugar ao tempo nublado e pude fazer com relativa tranquilidade os meus 17k. Estou a andar muito devagarinho (ritmo médio de 5:35), mas como o tempo é de pequenas vitórias, valeu ter conseguido fazer um treino progressivo.

Desde há 3 anos que estar em Agosto em Tróia é poder entrar num estágio informal. Aqui treino com regularidade e até perco peso. Desta vez, quero também sair daqui e ter voltado a descodificar os ritmos a que ando. É que, com a paragem, a confusão vai ao ponto de eu passar de 5:20 a 4:45 e estabilizar a 5:10 sem alguma vez me ter apercebido de que houveram mudanças de ritmo.


Segunda-Feira, 01 de Agosto de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Os primeiros sete

Sete quilómetros debaixo do calor desmoralizante da hora do almoço. Os primeiros sete calçados com os Kayano 17. Que até são listrados a ouro.


Terça-Feira, 26 de Julho de 2011

domingo, 24 de julho de 2011

"Agora que ninguém nos ouve..."

Quando correr não equivale a treinar, penso com mais clareza. Penso na vida, na família, no trabalho ou até (redundantemente) na corrida. Hoje, enquanto fazia os meus sofridos 15k para recuperar ritmos antigos, foi uma dessas sessões.

E, como ninguém me ouvia, comecei a tentar fechar decisões: quais os ténis que iria comprar esta semana? Qual seria a minha maratona de Outono? E qual seria a marca em perspectiva?

“Bem, está decidido. Vou mesmo rebentar o budget e deixar a Nike para os calções e para as camisolas. Sapatos vão mesmo ser Asics. Material à séria. E se os Nimbus são mais para quem supina e para quem tem arco pronunciado, vão ser os Kayano. Se serão os 16 ou 17, fica por saber.”

“Entre Frankfurt, Dublin e Veneza, acho mesmo que a próxima maratona vai ser a do Porto. Faltam-me as multidões de Berlim e Paris, mas aqui gasto menos dinheiro (para compensar o estouro dos Kayano), corro com amigos e até tenho a mister à boca da meta”.

“Quanto a tempos, nunca estive tão atrasado à entrada do plano. Por isso, como estive parado três meses e como me rasgo todo para fazer 15k em 80 minutos, nem estou aqui para pensar em recordes. Mas, como ninguém nos ouve, até pode ser que mude totalmente de decisões. É que ir treinar ao sol do Alentejo às vezes faz-nos coisas estranhas…”


Domingo, 24 de Julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

Sete dias na história de uma lesão

E à Segunda-Feira surgiu a luz. Primeiro, encarei-a com desconfiança. É que, ao contrário do resto das lesões mais ou menos prolongadas, não metia cirurgias, fisioterapias ou posologias. Era, estranhamente, muito mais simples que isso.

Com o antigo tartan do Estádio Nacional a descascar-se dia após dia, fui fazendo a minha meia hora diária pela relva do campo de futebol. Debaixo do calor que era opressivo à uma da tarde, tirei os sapatos. E, foi mais ou menos nessa altura que, três meses depois, recuperei a sensação de correr sem dores na perna direita. “Seria dos sapatos?! De uns sapatos com pouco mais de 100k nas solas?”

Logo ali decidi começar a treinar com uns sapatos diferentes. Na verdade, uns sapatos onde o conta-quilómetros já ultrapassava os 800k. Assim entrei na Terça-Feira na pista do Alto Rendimento do Jamor. E assim voltaria no dia seguinte ao mesmo local e com o mesmo calçado. Em comum aos dois treinos, a canícula do costume e a anormalidade de correr sem dores.

Mas foi ontem que tive a sensação de tudo estar a entrar na linha. No Monsanto, com a Rita em semana de glória e com o prazer de estar rodeado de companheiros na luta pela maratona. Entusiasmei-me e depois de fazer as minhas rampas, juntei-me ao time Amesterdão para quase 6k a mais do que estava escrito no plano.

Um exagero que fez dos 11k de hoje uma corrida onde as coxas pareciam estar ancoradas ao chão e o traseiro parecia ter o peso de um semi-atrelado. Quase uma semana depois, voltei a sentir o joelho direito. Mas também o joelho esquerdo, os tornozelos e tudo o mais que se sente num corpo que andava arredio da corrida. E que anda a meter quilometragem em cima de uns ténis que já há muito passaram a idade da veterania.


Domingo, 17 de Julho de 2011