quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Peso

Doze horas depois de um treino exigente, as pernas pediam descanso. Por isso, os 6k em ritmo lento não passaram mesmo disso. Talvez até menos. Valeu o novo pontão da Marina do Parque das Nações para que 6 rectas viessem espevitar a coisa. Mas as coxas continuam a pesar quilos. Muitos.


Quinta-Feira, 7 de Outubro de 2010 (imagem da autoria de wHaTEvEr)

Em equipa

Por um lado, excelentes atletas num ambiente de grande superação. Por outro, a simpatia e a solidariedade que me fez sentir bem-vindo. Foi assim o meu primeiro dia em conjunto na casa RB.

No Monte da Galega, foi um daqueles fins de tarde que funcionaram. Começou-se com um aquecimento de 20’ e concluiu-se com 10’ de arrefecimento e 10’ de alongamentos. Pelo meio, um fartlek de 8 repetições de um minuto com um minuto de intervalo entre repetições. E aí, estimulado pela velocidade da equipa, registei 300 metros ao 1º minuto (ritmo de 3:21/k), 280 ao 2º (3:34/k), 280 ao 3º (3:34/k), 270 ao 4º (3:42/k), 270 ao 5º (3:42/k), 270 ao 6º (3:42/k), 280 ao 7º (3:34/k) e, por fim, 290 ao 8º (3:26/k).

Vou chamar-lhe um bom dia de trabalho. Espero que seja também um bom prenúncio.


Quarta-Feira, 6 de Outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Duas horas à maratona (ou menos)

Veio na Runner’s World e foi escrito por Amby Burfoot, uma voz que se respeita tanto por já ter ganho Boston como por ter sido uma das principais editoras da revista. O texto começa por interrogar sobre se o próximo fim-de-semana em Chicago poderá oferecer o novo recorde do mundo da maratona e perto do fim dá voz à opinião de especialistas sobre a possibilidade de um dia se passar a meta em menos de 2 horas.

Um deles diz que - a acontecer - o mais provável é que seja daqui por 25 anos. Outro descreve um retrato-robô e diz-nos que as mesmas probabilidades (sempre elas) apontam para que o recordista venha a ser um tipo com 152 centímetros de altura e 56,250 quilogramas de peso. Ah, e que é natural que venha do Leste de África.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Em minha defesa

Posso alegar que não conhecia as siglas e que achei que C.C.N. queria dizer “Correr Como Nunca” e não “Corrida Contínua Normal”. Posso alegar que me distraí e em vez de parar nos 6k, fui até aos 8,3k. Posso ainda alegar que a culpa foi do Rui Marques, que fez a pré-época em condições e que está com o pedal todo.

A verdade é que para esta tarde no Parque das Nações talvez não fosse suposto andar ao ritmo de 4:46. Mas ainda deu para me aguentar com alegria às 6 rectas que viriam a seguir.


Terça-Feira, 5 de Outubro de 2010

Um novo ciclo

Até há uma semana era Berlim, a primeira maratona e uma sensação de intenso encanto por aquela distância que a passagem pela meta não fez dissipar. Aliás, em Janeiro, começa a preparação para novos 42k. Serão em Paris e já sinto o formigueiro.

Antes de lá chegar, tenho quase três meses para gastar. E, tirando a vontade de em 5 de Dezembro rectificar o meu recorde pessoal à meia-maratona e o desenvolvimento de um projecto especial que me vai deixando pensativo, seriam cerca de 90 dias sem grande rumo ou pressão.

Decidi por isso que era momento de ir para a escola. E assim, dezasseis meses depois do meu tosco início na Corrida do Oriente de 2009, peguei na minha vontade de aprender e passei a treinar sob a orientação da Rita Borralho. Um nome que dispensa apresentações e uma casa onde tenho a felicidade de encontrar os amigos Rui Marques, Rui Lacerda e Júlio Barroco.

Na primeira aula, foram 20’ de aquecimento + um circuito de preparação física + 10’ de arrefecimento + 10’ de alongamentos. A dividir a carteira comigo estava o Rui Marques. Se isto não é um novo ciclo, o que é que poderá haver de mais parecido com isso?


Segunda-Feira, 4 de Outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Nomes

Não sei de outro desporto que consiga dar a oportunidade a um obscuro contabilista de 64 anos de participar numa prova em que seja batido um recorde do mundo. Não é a minha profissão nem a minha idade, mas em Março deste ano na EDP Meia-Maratona de Lisboa fui 1393º classificado numa corrida que produziu a melhor marca de sempre aos 21.097 metros. Éramos 5475 e a glória do dia foi para um eritreu. Mas nós estivemos lá.

Como estive Domingo em Berlim para me aperceber (ele acabou quase duas horas antes de mim) de um miúdo de 25 anos que ainda tem dificuldade em sorrir mas que fez 2 dos 3 melhores registos do ano. Pode Patrick Makau ser o futuro da maratona? Eu não apostaria contra.

Uma aposta segura é o que Kilian Jornet mostra consistentemente ser. Apesar de ainda muito jovem, o tricampeão do Skyrunner World Series acabou de tirar uma hora e treze minutos à subida e descida do Kilimanjaro em África. Mais uma pulverização do catalão que dá cartas no cenário ultra europeu.

Depois da sua vitória no Grand Raid des Pyrénées, tenho vindo a seguir mais de perto os passos do Carlos Sá. Um homem que não se cansa de ganhar e que nos deu agora a notícia de já estar inscrito na Marathon des Sables. Confesso que a minha expectativa é total e apesar de nessas alturas já ter provavelmente a minha cabeça na Maratona de Paris, não vou deixar de seguir com grande atenção e curiosidade.

Nomes que equivalem a vitórias de escala mundial e europeia, mas que estranhamente acabam por nos ser tão próximos. Nós somos o pelotão deles. E isso já é um óptimo sítio para se estar. Como foi estar hoje à conversa no Monte da Galega com mais um daqueles nomes que ouço desde sempre. O treino de recuperação ficou para segundo plano. Caminhei para aí um quarto de hora e corri mais outro tanto.


Sexta, 1 de Outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Uns para os outros

Seria fastidioso e talvez injusto personalizar todo o apoio que recebi. Houve quem parecesse mais entusiasmado que eu próprio. Houve quem se lembrasse de falar comigo na véspera. Houve quem no mesmo dia não se esquecesse do abraço apertado. Muitos me acompanharam na escrita e no pensamento. Foi demais. Fez-me sentir muito bem. Fez-me ver que estou no lugar certo. Um lugar onde claramente somos uns para os outros.

Hoje voltei a calçar os ténis e fui fazer 4k à volta da Marina do Parque das Nações. Chamam a isto recuperação. Que certamente começou no dia seguinte à maratona, quando montado nas botas Timberland andei a fazer quilometragem pelas ruas de Berlim. Num ápice, acabaram-se as dores de tendões e só ficaram as unhas negras para fazer prova de que tinha sido um dos 40.000 a fazer a coisa. Há histórias de quem fique mais mazelado que isso.

Outros (vários) decidiam ostentar o orgulho de forma diferente. E Terça-Feira ao fim do dia, enquanto estava na fila do check-in no Aeroporto de Tegel, ainda havia quem ostentasse a medalha por cima do blazer de veludo cotelé.


Quinta, 30 de Setembro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

4 horas, 3 minutos e 59 segundos

No Sábado à tarde, passei pela Leipziger Strasse e parei. Estava a decorrer a maratona para patinadores em linha e, entusiasmado com o espectáculo e com o apoio dos berlinenses, ali fiquei a olhar. Naquela altura, muito longe estava de saber que seria naquela mesma Leipziger Strasse que eu viria a subitamente enterrar as minhas aspirações a fazer a 37ª real,- Berlin Marathon abaixo das 4 horas.

Feito o balanço, até aquele quilómetro 38, tudo vinha a correr sem sobressaltos. Estava abaixo do par e uma dor na virilha esquerda não chegava a fazer-me travar o ritmo pré-estabelecido. O cansaço sentia-se nas pernas, mas se me dissessem antes da prova que iria chegar ao k38 abaixo das 3 horas e meia deixar-me-iam nas nuvens para esta minha primeira maratona.

Só que ao 38 crashei. Não parei. Mas, surgindo de entre um cérebro confuso, um corpo enregelado (choveu a esmagadora maioria do tempo) e umas pernas que começaram a ficar para trás, apareceu o meu muro pessoal. Lembro-me de me ter forçado a raciocinar se isto tinha vindo de um ritmo exagerado, de um dia de véspera em que estupidamente tinha andado muito em cima dos pés, de noites mal dormidas, enfim de tudo o que me parecesse que podia explicar aquele desaire. Certo é que fiz dois quilómetros em quase 17 minutos (!). Foi o abastecimento do k40 que me resgatou. Aí parei, bebi e as minhas pernas voltaram a correr. Até passar a Porta de Brandenburgo. Até atravessar a meta.

Enquanto estou a escrever, veio-me à cabeça ter lido algures que os maratonistas de Berlim 2009 tinham corrido sob uma temperatura exagerada. Este ano foi ao contrário. Quase nunca deixou de chover. Mas, coberto por uns plásticos da Adidas, o pelotão ia-se mantendo aquecido enquanto esperava que os acordes de Vangelis prenunciassem o tiro de partida. Foi por aí que desejei boa sorte a uma camisola com uma pequena bandeira de Portugal nas costas. Era o António Alves, que também estava ali para fazer um tempo sub-4. E que (ironia suprema) era mais um da RB Running. Para não destoar, mais uma vez o nome Rita Borralho e o respeito e admiração dos seus atletas vêm na mesma frase.

Enfim, soou a partida e não demorou muito a que chegassem os pontos altos e os pontos baixos de uma maratona com 40.000 corredores. É uma festa extraordinária, mas a estrada tem muito pouco espaço para circular. Por isso mesmo nunca estamos desacompanhados nos melhores ou piores momentos, mas depois há a luta para furarmos até às mesas de abastecimento, pegarmos num copo com água ou isotónico e conseguir sair com ele sem que o líquido se entorne.

Com o António e mais um companheiro de Torres Vedras (“um segundo abaixo das 4 horas, mas o meu principal objectivo é acabar bem disposto”), os primeiros k’s iam-se fazendo na tagarelice. Chegando ao k10 com 57:57, estava na verdade abaixo da minha expectativa (56:30). Não era razão para preocupações, de modo que à passagem dos 20k a décalage para o meu par não tinha subido nem descido. Estava ainda com cerca de um minuto e meio de atraso, mas não era ainda momento para forçar.

Sentia-me com pernas e, ainda em dupla com o António, fiz todo o trajecto até aos 30k sem percas. Estava bem e sentia-me sólido. Sentia-me quase a entrar no desconhecido, mas coincidentemente (ou talvez não), os 90” acima do programado não se iam mexendo.

Numa análise já com alguma distância, foi a partir daí que o destino da corrida se começou a lançar. É verdade pois o que me iam dizendo os mais experientes: a maratona começa aos 30k. E terá sido justamente a velocidade a que andei entre o k30 e o k35 que me viriam a fazer pagar a factura. Tinha já recuperado no cronómetro, mas sem saber tinha feito comprometer uma melhor marca. Para que se perceba, os meus dois quilómetros mais rápidos em toda a corrida foram o 33º e o 34º. Embriagado pela ideia de ultrapassar marcos como o k32 ou o k35 (por onde normalmente se diz que há muros à espreita), fui começando a construir o meu próprio muro.

Já tinha interiorizado que a dor na virilha estava ali, portanto não me afectava. Mas o primeiro sinal de grande desconforto veio da extraordinária dificuldade em abrir um pacote de gel. Tinha as mãos molhadas e enregeladas e aquela batalha fez-me sentir nervoso. Estava no 36º e logo de seguida vi o António Alves a afastar-se e percebi que estava a perder o gás. Vítima da minha inexperiência, comecei a afundar-me. Mesmo assim, ainda me forcei a aguentar e fiz um par de quilómetros a um ritmo admissível, ainda inferior aos 6’/km. Mas então apareceu a Leipziger Strasse. A longa e larga Leipziger Strasse.

Depois da recuperação, cruzaria a meta com 4:03:59. Exactamente 4 minutos acima do meu objectivo de tempo. Mas nada me conseguirá fazer esquecer de duas ou três lições que levo da capital da Alemanha. Hoje, no momento em que escrevo (são 11 horas na manhã de Segunda-Feira), não me sinto bem nem mal. Nem sequer me sinto diferente. Mas, no capítulo desportivo, algo me alegra: já estou inscrito na Maratona de Paris, em Abril do ano que vem. Porque, até poder, quero mais dez, vinte ou cem lutas como estas.


Domingo, 26 de Setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Nuvens na Germânia

Vestido com a sleeve-shirt da Meia dos Palácios, fiz-me ao último dia de treinos para Berlim. Que, por coincidência, foi também o meu primeiro treino do Outono. Sob nuvens de chumbo, foram 35 leves minutos onde ia pensando como se deve um tipo equipar para fazer 42k com 15 graus centígrados, 90% de humidade relativa e 60% de probabilidades de chuva. Porque agora, quando voltar a correr, já será lá pela Germânia.


Para trás, ficaram 775k em 53 treinos. Fiquei com a ideia que deve ser mais rentável treinar para a maratona durante o Inverno. Mas, enfim, isso já não interessa nada. Desde que o trabalho tenha rendido o suficiente, talvez já dê para ganhar o dia.

Quinta-Feira, 23 de Setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um brinde aos amigos

Há um ano atrás não conhecia ninguém d’O Mundo da Corrida. Hoje, à beira de um dia para o qual tenho trabalhado com muita vontade, tenho-os visto a aparecer sem nunca se esquecerem de mandar um abraço e de fazerem o mais positivo dos reforços. É bom estar assim rodeado de atletas-amigos.

Só posso agradecer e dizer que tenho muita esperança de após Domingo poder dar notícias de como me correu bem a manhã. Tenho essa confiança. Mas se o vento tiver sido forte demais para mim, não me faltam razões para levantar a cabeça. Uma delas é um encontro que já tenho marcado para Abril. Dessa vez, com o dorsal 23780.

Ontem, Terça-Feira, foram 35’ na calma manhã do Parque das Nações. Foi também o penúltimo dos treinos.


Terça-Feira, 21 de Setembro de 2010